Rudy Eugene, 31, estaria sob efeito de LSD e grunhia como um animal.
Vítima teve 75% do rosto mordido e se recupera em hospital da cidade.
Do G1, com agências internacionais
A imprensa divulgou nesta terça-feira (29) imagem do rosto do homem que comeu o rosto de outro em Miami neste sábado (26). Segundo o "Mail Online", a foto foi obtida pela polícia.
De acordo com a publicação, Rudy Eugene, 31, arrancou 75% do rosto da vítima a mordidas e grunhia como um animal antes de ser morto por policiais. Ele estava sob efeito de uma nova forma de LSD, diz o jornal.
A vítima se recupera em um hospital de Miami e seus machucados são um dos mais horríveis que a equipe hospitalar já viu, ainda conforme com o jornal.
Rosto de Rudy Eugene, 31, homem que teria comido o rosto de outro em Miami (Foto: Reprodução)
Investigação
A polícia de Miami começou a investigar nesta segunda-feira (28) as causas do crime, em que o homem nu comia o rosto de outro, também nu, e em estado moribundo, e de quem arrancava os olhos e a carne do rosto a mordidas, informaram meios de comunicação locais.
"O sujeito o estava desfigurando com a boca e gritei para que parasse, mas ele continuou", disse Larry Vega ao Canal 7 local da rede Fox News. "Foi uma das coisas mais horrendas que já vi."
Imagem de vídeo mostra policiais próximo ao corpo dos envolvidos no crime ocorrido neste sábado (26) em Miami (Foto: AP)
O incidente ocorreu no sábado, na ponte da estrada MacArthur, que liga Miami Beach ao centro da cidade, usada por carros e bicicletas que se dirigem às praias. A região sob a ponte costuma servir de abrigo para sem-teto e viciados em drogas.
Vega andava de bicicleta pelo trecho reservado a pedestres e ciclistas paralelo à autoestrada quando viu a cena e avisou à polícia, que chegou ao local e tentou conter o agressor. Ele morreu baleado porque não quis parar de morder a vítima, segundo a polícia.
"Quando vemos esse tipo de conduta de pessoas nuas e que se tornam violentas, é um indicativo de um delírio causado por overdose", disse Armando Aguilar, um policial de Miami, ao Canal 7.
terça-feira, 29 de maio de 2012
Atriz de ‘Rebelde’ está sofrendo bullying de colegas de elenco
Por Isabella | Tipo assim
Fotos: AgNews (Lua Blanco, Mel Fronckowiak e Sophia Abrahão)
Segundo a colunista Anna Ramalho, do "Jornal do Brasil", o clima de paz entre os "rebeldes" está por um fio. Mel Fronckowiak (Carla) está sofrendo bullying das colegas Sophia Abrahão (Alice) e Lua Blanco (Roberta), nos bastidores da novela e dos shows.
As atrizes não estariam nem dando "Bom dia!", por uma simpels questão de educação, para a colega, que estaria extremamente incomodada com o clima tenso. Uma reunião para discutir a relação das ex-amigas já teria sido realizada em São Paulo.
Sophia e Lua teriam perdido a confiança em Mel e decidido se afastar, já que ela estaria inventando um monte de mentiras desnecessárias.
Fotos: AgNews (Lua Blanco, Mel Fronckowiak e Sophia Abrahão)
Segundo a colunista Anna Ramalho, do "Jornal do Brasil", o clima de paz entre os "rebeldes" está por um fio. Mel Fronckowiak (Carla) está sofrendo bullying das colegas Sophia Abrahão (Alice) e Lua Blanco (Roberta), nos bastidores da novela e dos shows.
As atrizes não estariam nem dando "Bom dia!", por uma simpels questão de educação, para a colega, que estaria extremamente incomodada com o clima tenso. Uma reunião para discutir a relação das ex-amigas já teria sido realizada em São Paulo.
Sophia e Lua teriam perdido a confiança em Mel e decidido se afastar, já que ela estaria inventando um monte de mentiras desnecessárias.
Jovem com doença que devora a pele volta a falar após quase um mês
Aimee Copeland contraiu a bactéria em 1º de maio e esteve perto da morte.
Estudante perdeu a perna esquerda, o pé direito e as duas mãos.
Da AP
Uma jovem americana que contraiu uma bactéria que devora a pele voltou a falar depois de quase um mês no hospital. No último domingo (27), Aimee Copeland conversou com médicos e familiares.
“Oi. Nossa. Uau, como minha cabeça está confusa”, foram as primeiras palavras da garota de 24 anos, segundo seu pai, Andy Copeland. Andy estava na igreja no momento e teve que esperar até de noite para visitar a filha no hospital.
Aimee Copeland sofreu um acidente com uma tirolesa improvisada sobre um rio no estado da Geórgia. Ela cortou a perna e caiu no rio, onde foi infectada por uma bactéria e desenvolveu uma doença rara chamada fasceíte necrotizante.
A infecção destrói as camadas internas e externas da pele, porque a bactéria libera toxinas que destroem os tecidos. Os médicos tiveram que amputar a perna esquerda, o pé direito e as duas mãos de Aimee.
Na última semana, a estudante de psicologia já tinha dado sinais de recuperação. Primeiro, ela voltou a respirar sem aparelhos. Dias depois, conseguiu se sentar sozinha. Agora, além de falar, Aimee já come alimentos macios.
A primeira coisa que pediu à mãe, aliás, foi um café da manhã reforçado: salsicha vegetariana, pão, molho branco, ovo frito e frutas frescas. “Ela provavelmente vai comer só um pedacinho, mas é claro que eu vou fazer. Que mãe não faria?”, emocionou-se a mãe, Donna.
Os pais e a irmã de Aimee Copeland, em entrevista coletiva concedida quando a jovem estava em estado grave (Foto: AP Photo/The Augusta Chronicle, Emily Rose Bennett)
Estudante perdeu a perna esquerda, o pé direito e as duas mãos.
Da AP
Uma jovem americana que contraiu uma bactéria que devora a pele voltou a falar depois de quase um mês no hospital. No último domingo (27), Aimee Copeland conversou com médicos e familiares.
“Oi. Nossa. Uau, como minha cabeça está confusa”, foram as primeiras palavras da garota de 24 anos, segundo seu pai, Andy Copeland. Andy estava na igreja no momento e teve que esperar até de noite para visitar a filha no hospital.
Aimee Copeland sofreu um acidente com uma tirolesa improvisada sobre um rio no estado da Geórgia. Ela cortou a perna e caiu no rio, onde foi infectada por uma bactéria e desenvolveu uma doença rara chamada fasceíte necrotizante.
A infecção destrói as camadas internas e externas da pele, porque a bactéria libera toxinas que destroem os tecidos. Os médicos tiveram que amputar a perna esquerda, o pé direito e as duas mãos de Aimee.
Na última semana, a estudante de psicologia já tinha dado sinais de recuperação. Primeiro, ela voltou a respirar sem aparelhos. Dias depois, conseguiu se sentar sozinha. Agora, além de falar, Aimee já come alimentos macios.
A primeira coisa que pediu à mãe, aliás, foi um café da manhã reforçado: salsicha vegetariana, pão, molho branco, ovo frito e frutas frescas. “Ela provavelmente vai comer só um pedacinho, mas é claro que eu vou fazer. Que mãe não faria?”, emocionou-se a mãe, Donna.
Os pais e a irmã de Aimee Copeland, em entrevista coletiva concedida quando a jovem estava em estado grave (Foto: AP Photo/The Augusta Chronicle, Emily Rose Bennett)
segunda-feira, 28 de maio de 2012
'Meu sentimento é de indignação', afirma Lula em nota
'Veja' afirmou que Lula pressionou ministro do STF para adiar mensalão.
Ex-presidente diz que versão publicada em texto da revista é 'inverídica'.
Do G1, em Brasília
O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse na noite desta segunda, por meio de nota divulgada pelo Instituto Lula, que é "inverídica" a versão da revista "Veja" sobre o teor da conversa que manteve no último dia 26 de abril com o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, em encontro no escritório do ex-ministro Nelson Jobim, em Brasília.
O G1 procurou a empresa responsável pela assessoria de imprensa da Editora Abril, que edita a revista. Mas foi informado que a empresa não responde pela área editorial da Abril. Na direção de redação da revista, uma secretária informou que não havia ninguém que pudesse falar sobre o assunto.
Na edição deste final de semana, reportagem da revista afirmou que, durante o encontro, Lula teria sugerido a Mendes para ajudar a adiar o julgamento do mensalão em troca de “proteção” nas investigações da CPI do Cachoeira, que, segundo "Veja", ele disse controlar. Na conversa com o ministro, Lula teria mencionado "a viagem a Berlim", em referência a encontro de Mendes com o senador Demóstenes Torres (sem partido-GO) na Alemanha, em viagem supostamente financiada pelo bicheiro Carlinhos Cachoeira. O ministro nega - ele disse que viajou com recursos próprios.
“Meu sentimento é de indignação”, afirmou Lula na nota, a respeito da reportagem. Segundo o ex-presidente, o encontro com Gilmar Mendes ocorreu, mas á versão do teor da conversa reproduzida pela revista é "inverídica", segundo o ex-presidente.
“O procurador Antonio Fernando de Souza apresentou a denúncia do chamado Mensalão ao STF e depois disso foi reconduzido ao cargo. Eu indiquei oito ministros do Supremo e nenhum deles pode registrar qualquer pressão ou injunção minha em favor de quem quer que seja”, afirmou Lula na nota.
De acordo com a assessoria do Instituto Lula, "a autonomia e independência do Judiciário e do Ministério Público sempre foram rigorosamente respeitadas nos seus dois mandatos. O comportamento do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva é o mesmo, agora que não ocupa nenhum cargo público".
Leia abaixo íntegra da nota à imprensa divulgada pelo instituto.
"NOTA À IMPRENSA
São Paulo, 28 de maio de 2012
Sobre a reportagem da revista Veja publicada nesse final de semana, que apresenta uma versão atribuída ao ministro do STF, Gilmar Mendes, sobre um encontro com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no dia 26 de abril, no escritório e na presença do ex-ministro Nelson Jobim, informamos o seguinte:
1. No dia 26 de abril, o ex-presidente Lula visitou o ex-ministro Nelson Jobim em seu escritório, onde também se encontrava o ministro Gilmar Mendes. A reunião existiu, mas a versão da Veja sobre o teor da conversa é inverídica. “Meu sentimento é de indignação”, disse o ex-presidente, sobre a reportagem.
2. Luiz Inácio Lula da Silva jamais interferiu ou tentou interferir nas decisões do Supremo ou da Procuradoria Geral da República em relação a ação penal do chamado Mensalão, ou a qualquer outro assunto da alçada do Judiciário ou do Ministério Público, nos oito anos em que foi presidente da República.
3. “O procurador Antonio Fernando de Souza apresentou a denúncia do chamado Mensalão ao STF e depois disso foi reconduzido ao cargo. Eu indiquei oito ministros do Supremo e nenhum deles pode registrar qualquer pressão ou injunção minha em favor de quem quer que seja”, afirmou Lula.
4. A autonomia e independência do Judiciário e do Ministério Público sempre foram rigorosamente respeitadas nos seus dois mandatos. O comportamento do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva é o mesmo, agora que não ocupa nenhum cargo público.
Assessoria de Imprensa do Instituto Lula"
Ex-presidente diz que versão publicada em texto da revista é 'inverídica'.
Do G1, em Brasília
O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse na noite desta segunda, por meio de nota divulgada pelo Instituto Lula, que é "inverídica" a versão da revista "Veja" sobre o teor da conversa que manteve no último dia 26 de abril com o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, em encontro no escritório do ex-ministro Nelson Jobim, em Brasília.
O G1 procurou a empresa responsável pela assessoria de imprensa da Editora Abril, que edita a revista. Mas foi informado que a empresa não responde pela área editorial da Abril. Na direção de redação da revista, uma secretária informou que não havia ninguém que pudesse falar sobre o assunto.
Na edição deste final de semana, reportagem da revista afirmou que, durante o encontro, Lula teria sugerido a Mendes para ajudar a adiar o julgamento do mensalão em troca de “proteção” nas investigações da CPI do Cachoeira, que, segundo "Veja", ele disse controlar. Na conversa com o ministro, Lula teria mencionado "a viagem a Berlim", em referência a encontro de Mendes com o senador Demóstenes Torres (sem partido-GO) na Alemanha, em viagem supostamente financiada pelo bicheiro Carlinhos Cachoeira. O ministro nega - ele disse que viajou com recursos próprios.
“Meu sentimento é de indignação”, afirmou Lula na nota, a respeito da reportagem. Segundo o ex-presidente, o encontro com Gilmar Mendes ocorreu, mas á versão do teor da conversa reproduzida pela revista é "inverídica", segundo o ex-presidente.
“O procurador Antonio Fernando de Souza apresentou a denúncia do chamado Mensalão ao STF e depois disso foi reconduzido ao cargo. Eu indiquei oito ministros do Supremo e nenhum deles pode registrar qualquer pressão ou injunção minha em favor de quem quer que seja”, afirmou Lula na nota.
De acordo com a assessoria do Instituto Lula, "a autonomia e independência do Judiciário e do Ministério Público sempre foram rigorosamente respeitadas nos seus dois mandatos. O comportamento do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva é o mesmo, agora que não ocupa nenhum cargo público".
Leia abaixo íntegra da nota à imprensa divulgada pelo instituto.
"NOTA À IMPRENSA
São Paulo, 28 de maio de 2012
Sobre a reportagem da revista Veja publicada nesse final de semana, que apresenta uma versão atribuída ao ministro do STF, Gilmar Mendes, sobre um encontro com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no dia 26 de abril, no escritório e na presença do ex-ministro Nelson Jobim, informamos o seguinte:
1. No dia 26 de abril, o ex-presidente Lula visitou o ex-ministro Nelson Jobim em seu escritório, onde também se encontrava o ministro Gilmar Mendes. A reunião existiu, mas a versão da Veja sobre o teor da conversa é inverídica. “Meu sentimento é de indignação”, disse o ex-presidente, sobre a reportagem.
2. Luiz Inácio Lula da Silva jamais interferiu ou tentou interferir nas decisões do Supremo ou da Procuradoria Geral da República em relação a ação penal do chamado Mensalão, ou a qualquer outro assunto da alçada do Judiciário ou do Ministério Público, nos oito anos em que foi presidente da República.
3. “O procurador Antonio Fernando de Souza apresentou a denúncia do chamado Mensalão ao STF e depois disso foi reconduzido ao cargo. Eu indiquei oito ministros do Supremo e nenhum deles pode registrar qualquer pressão ou injunção minha em favor de quem quer que seja”, afirmou Lula.
4. A autonomia e independência do Judiciário e do Ministério Público sempre foram rigorosamente respeitadas nos seus dois mandatos. O comportamento do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva é o mesmo, agora que não ocupa nenhum cargo público.
Assessoria de Imprensa do Instituto Lula"
domingo, 27 de maio de 2012
Adivinha quem é?
Tudo começou quando ele chegou por trás dela, tapou seus olhos e disse: — Adivinha quem é?
E ela:
— George Clooney.
Pra quê. Inauguraram-se três linhas de raciocínio. Uma: ela realmente pensara que o George Clooney entrara na sua cozinha, pé ante pé, tapara os seus olhos com suas mãos e dissera “Adivinha quem é?”, ainda por cima em português.
— Por que não? — disse ela. E arrematou: — Tudo é possível.
— Faça-me o favor — disse ele. — O que o George Clooney estaria fazendo, já não digo na nossa cozinha, mas no Brasil, sem ninguém saber? Hein?
— Veio lançar um filme.
— Muito bem. Veio lançar um filme, se perdeu na cidade, entrou no nosso prédio, entrou no nosso apartamento, viu a porta da nossa cozinha aberta e você aqui, de bermudas, cortando cenoura, e decidiu entrar?
— Tudo é possível.
— E o português? Como é que ele sabe português?
— Como é que você sabe que ele não sabe português?
— Como é que ele passou pelo porteiro sem ser anunciado? Como é que tinha a chave do apartamento? Ora, faça-me o favor!
Segunda linha de raciocínio: fora uma brincadeira. Claro que ela sabia que não era o George Clooney, era o marido. Dissera “George Clooney” para fazer ele rir. Não esperava que ele não fosse gostar da brincadeira. O George Clooney na minha cozinha? Eu nestes trajes? Cortando cenoura? Claro que era impossível. Brincadeira.
— Não foi brincadeira.
— Foi, bem.
— Não foi. Do jeito que você disse “George Clooney”, não foi.
— Foi o quê?
(Chegamos ao terceiro raciocínio.)
— O tom em que você disse “George Clooney”. Quase um lamento. O que você realmente estava dizendo era “que remédio, só pode ser o chato do meu marido. Não pode ser outro homem, outra vida, outro futuro, longe desta cozinha, longe de tudo que é pequeno e mesquinho e previsível e...”
— Bem, vai pra sala ver seu “Jornal Nacional”, vai.
— A cenoura é pra quê?
— Refogado com vagem. Como sempre.
Luís Fernando Verissimo
E ela:
— George Clooney.
Pra quê. Inauguraram-se três linhas de raciocínio. Uma: ela realmente pensara que o George Clooney entrara na sua cozinha, pé ante pé, tapara os seus olhos com suas mãos e dissera “Adivinha quem é?”, ainda por cima em português.
— Por que não? — disse ela. E arrematou: — Tudo é possível.
— Faça-me o favor — disse ele. — O que o George Clooney estaria fazendo, já não digo na nossa cozinha, mas no Brasil, sem ninguém saber? Hein?
— Veio lançar um filme.
— Muito bem. Veio lançar um filme, se perdeu na cidade, entrou no nosso prédio, entrou no nosso apartamento, viu a porta da nossa cozinha aberta e você aqui, de bermudas, cortando cenoura, e decidiu entrar?
— Tudo é possível.
— E o português? Como é que ele sabe português?
— Como é que você sabe que ele não sabe português?
— Como é que ele passou pelo porteiro sem ser anunciado? Como é que tinha a chave do apartamento? Ora, faça-me o favor!
Segunda linha de raciocínio: fora uma brincadeira. Claro que ela sabia que não era o George Clooney, era o marido. Dissera “George Clooney” para fazer ele rir. Não esperava que ele não fosse gostar da brincadeira. O George Clooney na minha cozinha? Eu nestes trajes? Cortando cenoura? Claro que era impossível. Brincadeira.
— Não foi brincadeira.
— Foi, bem.
— Não foi. Do jeito que você disse “George Clooney”, não foi.
— Foi o quê?
(Chegamos ao terceiro raciocínio.)
— O tom em que você disse “George Clooney”. Quase um lamento. O que você realmente estava dizendo era “que remédio, só pode ser o chato do meu marido. Não pode ser outro homem, outra vida, outro futuro, longe desta cozinha, longe de tudo que é pequeno e mesquinho e previsível e...”
— Bem, vai pra sala ver seu “Jornal Nacional”, vai.
— A cenoura é pra quê?
— Refogado com vagem. Como sempre.
Luís Fernando Verissimo
O BRASIL EXPLICADO EM GALINHAS - A pura realidade
O BRASIL EXPLICADO EM GALINHAS
Pegaram o cara em flagrante roubando galinhas de um galinheiro e o levaram para a delegacia.
D - Delegado
L - Ladrão
D - Que vida mansa, heim, vagabundo? Roubando galinha para ter o que comer sem precisar trabalhar. Vai para a cadeia!
L - Não era para mim não. Era para vender.
D - Pior, venda de artigo roubado. Concorrência desleal com o comércio estabelecido. Sem-vergonha!
L - Mas eu vendia mais caro.
D - Mais caro?
L - Espalhei o boato que as galinhas do galinheiro eram bichadas e as minhas galinhas não. E que as do galinheiro botavam ovos brancos enquanto as minhas botavam ovos marrons.
D - Mas eram as mesmas galinhas, safado.
L - Os ovos das minhas eu pintava.
D - Que grande pilantra... (mas já havia um certo respeito no tom do delegado...)
D - Ainda bem que tu vai preso. Se o dono do galinheiro te pega...
L - Já me pegou. Fiz um acerto com ele. Me comprometi a não espalhar mais boato sobre as galinhas dele, e ele se comprometeu a aumentar os preços dos produtos dele para ficarem iguais aos meus. Convidamos outros donos de galinheiros a entrar no nosso esquema. Formamos um oligopólio. Ou, no caso, um ovigopólio..
D - E o que você faz com o lucro do seu negócio?
L - Especulo com dólar. Invisto alguma coisa no tráfico de drogas. Comprei alguns deputados. Dois ou três ministros. Consegui exclusividade no suprimento de galinhas e ovos para programas de alimentação do governo e superfaturo os preços.
O delegado mandou pedir um cafezinho para o preso e perguntou se a cadeira estava confortável, se ele não queria uma almofada. Depois perguntou:
D - Doutor, não me leve a mal, mas com tudo isso, o senhor não está milionário?
L - Trilionário. Sem contar o que eu sonego de Imposto de Renda e o que tenho depositado ilegalmente no exterior.
D - E, com tudo isso, o senhor continua roubando galinhas?
L - Às vezes. Sabe como é.
D - Não sei não, excelência. Me explique.
L - É que, em todas essas minhas atividades, eu sinto falta de uma coisa. O risco, entende? Daquela sensação de perigo, de estar fazendo uma coisa proibida, da iminência do castigo. Só roubando galinhas eu me sinto realmente um ladrão, e isso é excitante. Como agora fui preso, finalmente vou para a cadeia. É uma experiência nova.
D - O que é isso, excelência? O senhor não vai ser preso não.
L - Mas fui pego em flagrante pulando a cerca do galinheiro!
D - Sim. Mas primário, e com esses antecedentes...
Luis Fernando Veríssimo.
Pegaram o cara em flagrante roubando galinhas de um galinheiro e o levaram para a delegacia.
D - Delegado
L - Ladrão
D - Que vida mansa, heim, vagabundo? Roubando galinha para ter o que comer sem precisar trabalhar. Vai para a cadeia!
L - Não era para mim não. Era para vender.
D - Pior, venda de artigo roubado. Concorrência desleal com o comércio estabelecido. Sem-vergonha!
L - Mas eu vendia mais caro.
D - Mais caro?
L - Espalhei o boato que as galinhas do galinheiro eram bichadas e as minhas galinhas não. E que as do galinheiro botavam ovos brancos enquanto as minhas botavam ovos marrons.
D - Mas eram as mesmas galinhas, safado.
L - Os ovos das minhas eu pintava.
D - Que grande pilantra... (mas já havia um certo respeito no tom do delegado...)
D - Ainda bem que tu vai preso. Se o dono do galinheiro te pega...
L - Já me pegou. Fiz um acerto com ele. Me comprometi a não espalhar mais boato sobre as galinhas dele, e ele se comprometeu a aumentar os preços dos produtos dele para ficarem iguais aos meus. Convidamos outros donos de galinheiros a entrar no nosso esquema. Formamos um oligopólio. Ou, no caso, um ovigopólio..
D - E o que você faz com o lucro do seu negócio?
L - Especulo com dólar. Invisto alguma coisa no tráfico de drogas. Comprei alguns deputados. Dois ou três ministros. Consegui exclusividade no suprimento de galinhas e ovos para programas de alimentação do governo e superfaturo os preços.
O delegado mandou pedir um cafezinho para o preso e perguntou se a cadeira estava confortável, se ele não queria uma almofada. Depois perguntou:
D - Doutor, não me leve a mal, mas com tudo isso, o senhor não está milionário?
L - Trilionário. Sem contar o que eu sonego de Imposto de Renda e o que tenho depositado ilegalmente no exterior.
D - E, com tudo isso, o senhor continua roubando galinhas?
L - Às vezes. Sabe como é.
D - Não sei não, excelência. Me explique.
L - É que, em todas essas minhas atividades, eu sinto falta de uma coisa. O risco, entende? Daquela sensação de perigo, de estar fazendo uma coisa proibida, da iminência do castigo. Só roubando galinhas eu me sinto realmente um ladrão, e isso é excitante. Como agora fui preso, finalmente vou para a cadeia. É uma experiência nova.
D - O que é isso, excelência? O senhor não vai ser preso não.
L - Mas fui pego em flagrante pulando a cerca do galinheiro!
D - Sim. Mas primário, e com esses antecedentes...
Luis Fernando Veríssimo.
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